Drummond e sua lanterna
Num texto postado logo após minha volta para os ares franceses falei de minhas angustias usando uma lanterna, ela era emprestada. Era do Drummond. Então resolvi mostrá-la com o dono. Como vocês poderão notar, ela é mais bonitinha sem as sombras do emprestimo. Abraço carinhoso. Jampa.
A lanterninha
APAGUEI TODAS AS LUZES, e não foi por economia; foi porque me deram uma lanterna de bolso, e tive a idéia de fazer a experiência da luz errante.
A casa, com seus corredores, portas, móveis e ângulos que recebiam iluminação plena, passou a ser um lugar estranho, variável, em que só se viam seções de paredes e objetos, nunca a totalidade. E as seções giravam, desapareciam, transformavam-se. Isso me encantou. Eudescobria outra casa dentro da casa.
A lanterna passava pelas coisas com uma fantasia criativa e destrutiva que subvertia o real. Mas o que é o real, senão o acaso da iluminação? Apurei que as coisas não existem por si, mas pela claridade que as modela e projeta em nossa percepção visual. E que a luz é Deus.
A patir daí entronizei minha lanterninha em pequeno nincho colocado na estante, e dispensei-me de ler os tratados que me perturbavam a consciência.Todas as noites retio-a de lá e mergulho no divino. Até que um dia me canse e tenha de inventar uma outra divindade.
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